Apesar de recorrente, e às vezes até esqueçido, muitas das pessoas que trabalham na “área” de informática consideram esse assunto polêmico. Obviamente não tenho a intenção de desfazer essa característica e muito menos resolver a questão, porém me sinto na obrigação de me posicionar a respeito assim como todo “profissional” da área deveria fazê-lo.

Vou me pautar, organizando algumas questões que direcionam minha posição:

  • A relevância da informática no âmbito da sociedade brasileira e seus anseios.
  • O papel do “profissional” .
  • As consequências.

A relevância da informática no âmbito da sociedade brasileira e seus anseios.

Atualmente, salvo raríssimas exceções (para tudo neste mundo há exceções), não há como imaginar a nossa sociedade sem a tecnologia de informática. Talvez não tão importante como os prédios em moramos, os alimentos que comemos,  as bebidas que bebemos ou remédios que usamos, mas com certeza talvez não menos que os salões de cabeleireiros que frequentamos ou as bibliotecas onde pegamos os nossos livros para ler (se é que fazemos isso ainda?). Alguns se perguntarão: o que isso tem a ver com o assunto? No que se refere à regulamentação: infelizmente nada. E é justamente aí o problema, pois para todos esses exemplos citados há uma profissão regulamentada por lei. Vejam nesse link aqui http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/regulamentacao.jsf.

A regulamentação por lei, para a sociedade significa que há parâmetros muito bem definidos sobre o que esperar de cada profissão. Está claro quais são os direitos e deveres de cada um desses profissionais. O cidadão se sente, de certa forma, protegido quanto aos seus anseios pois há uma lei que define isso. E parece que aqui no Brasil, as coisas infelizmente só funcionam quando há lei: é lei contra fumo, lei para proteger o idoso e a criança, lei para NÃO dirigirmos bêbados.  Quando vamos a um médico ou procuramos um advogado acreditamos estar diante de um profissional competente pois há todo um processo que garante a sua autenticidade, e prefiro não considerar o “jeitinho brasileiro” para justificar que há como burlar isso, pois no geral é sério. Quando se fala em informática em que a sociedade se baseia? Se não tem uma lei que nos defina, não será a sociedade sozinho ou uma auto-regulamentação que irá resolver. Ou por acaso não seria óbivo que devemos respeitar os idosos, cuidar das crianças, e não dirigir bêbado? Claro que só uma lei não resolve, mas é hoje parece ser o ponto de partida mais confiável.

Quando se trata de informática, o tempo é algo que tem parâmetros próprios e relativamente muito diferente, pois  o que em uma área demora décadas para acontecer na informática é questão de meses. O conceito de informática na sociedade se insere também de forma acelerada. Talvez a profissão de engenheiro, por exemplo, tenha levado centenas de anos para se estabelecer e nos seus primórdios qualquer um se tornava um engenheiro “na prática” e isso tenha funcionado bem por muito tempo. O profissional de informática hà duas décadas na sua grande maioria era proveniente de outras áreas e também em sua grande maioria de áreas bem estabelecidas, o que por consequencia trazia uma boa garantia de qualidade. Hoje e provável que haja centenas  (não pesquisei esse número) de cursos técnicos e de nível superior que atenderiam a demanda das exigencias da formação dos profissionais, sem precisar “importar” profissionais ou outro qualquer sem qualquer formação ( o que é muito pior) se auto-formando profissional de informática (seja analista ou técnico). No que se refere a formados em outras áreas até defendo que uma pós-graduação pode torná-los tão bons quanto um formado na “área”, pois tem uma base muito bem estabelecida.

Sei que há pessoas que defendem a liberdade de exercício dizendo que é uma forma de reserva de mercado,  mas atualmente o problema não é garantir o mercado para o profissional e sim que esse mercado tenha parâmetros de qualidade como em qualquer outra profissão onde há universidades produzindo conhecimento na área e assim fazer com que o mercado seja garantido para quem dele necessita. Hoje o atual projeto de lei no senado http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82918 indica que o profissional deve ter preparação especializada para ser um técnico e o no caso do analista de sistemas, que é o profissional com formação de nível superior, tenha diploma em curso superiro na área de informática (há diversos cursos já reconhecidos pelo MEC). Para a visão da sociedade não vejo uma forma mais clara que essa, pois há séculos que são as entidades de ensino superior que caracterizam e certificam quem são os profissionais de cada área. Porque não na informática? O próprio projeto de lei já garante àqueles que vieram de outras áreas ou já estão exercendo a profissão o direito de continuar, mas para aqueles que pretendem fazê-lo após isso haverá regras claras. Já ouvi várias vezes pessoas conhecidas dando conselhos do tipo: “- Quer ser um a analista de sistemas? montar uma software-house? não perde seu tempo com faculdade não! É só fazer uns “cursinhos de computador” e ter um cartão de visitas escrito: analista de sistemas.  E hoje em dia, nem estão errados em dizer isso. Já que não existe lei alguma. Conheci um balconista de farmácia que fazia papel de farmaceútico e até era muito competente, dizia até que ensinava os farmacéuticos mas ganhava muito menos que eles. Talvez por força das consequências da vida, ele não pôde ter acesso à um curso superior e por isso não pôde exercer a profissão para a qual tinha talento. Porém,  é  um caso raro. Não é a regulamentação que resolverá todos os problemas, e também poderá  ser burlada como qualquer lei é aqui no Brasil. Mas o fato é que quando a pessoa entra no jogo, já sabe de antemão qual é o papel de cada um e a sua posição. Se o papel que está exercendo não é o que quer fazer, terá de cumprir os trâmites para tentar mudar.

Voltando também a tal “auto-regulação”, se isso fosse uma cultura difundida e praticada no Brasil não teria nada contra. Até acreditaria nisso se estivesse no Japão. Mas aqui no nosso país, é raro algo que não precise de um empurrão do legislativo e o olho do judiciário para funcionar.

 

O papel do “profissional” .

Duvido muito que uma pessoa fora da “área” consiga definir mesmo de uma forma bem simples o papel do “profissional de informática”, essa pessoa saberia dizer “por cima”  o que faz um analista de sistemas ou um técnico? Obvio, que para muitas outras profissões também não saberia dizer. Mas e entre os que são da área há concenso? Quais são os deveres e direitos de um analista?

Então,  quando quem esta “de fora” não sabe e quem é da área tem dúvidas como se auto-definir?

Como não há regulamentação, pode exercer a profissão de analista: aquele que fez uma faculdade na área ou aquele de outra área que fez uma pós-graduação ou aquele de outra área que resolver exercer ou aquele que fez o curso técnico ou aquele que fez curso de um sistema operacional e algumas ferramentas ou aquele que aprendeu lendo um livro ( hoje provavelmente pela internet) ou aquele que simplesmente saiu usando o computador.

Me parece um pouco estranho, principalmente quem olha “de fora da área”, dizer o que é um profissional de informática dessa forma.

Houve um caso contado por um conhecido que é contador, por acaso também sou formado como técnico em contabilidade, que me indignou: Ele tinha que fazer o registro em carteira de um funcionário de uma empresa de informática, ligou para o sujeito e perguntou o que ele fazia lá e o foi respondido que ele fazia a instalação elétrica, a montagem da rede e a instalação dos computadores. Como não sabia o que seria para colocar na carteira de trabalho, o contador perguntou a um colega mais antigo que já havia feito outros registros para a mesma empresa, a resposta foi: “- Ah, coloca aí: analista de sistemas porque nessa empresa está todo mundo assim pois o salário é o mesmo,  lá eles resolvem pagando por fora. ”  Nem ao menos quis saber quanto era esse salário, e nessa hora me senti o verme da bosta do cavalo do bandido.

A casos em que dizemos  “sou analista de sistemas” e as pessoas olham admiradas, mas há muitos em que ouvimos: “meu sobrinho também é” e aparece então um piralho de 19 anos que acabou de entrar numa empresa e faz “página para internet”.

Quem é de empresa pública, como eu, passa por outras situações. Primeiro que quem trabalha em “setor de informática” em empresa pública de outra áreas  ( ex:  saneamento, eletricidade, comunicação, saúde) não tem identidade, e no momento de acordos coletivos de trabalho são tratados como os outros funcionários daquela área: passa a ser “eletricitário”, “sanitarista”, exatamente com o mesmo ajuste salarial e muitas vezes com a mesma base. Se for um engenheiro trabalhando nessas empresas,  é preciso criar meios especiais de tratar os direitos desse profissional.  E em empresas da área, como empresas estaduais ou federais de informática, onde se acharia que isso pudesse ser resolvido ou tratado,  acontece o inverso do esperado, pois todos que estão na empresa independentemente se são da “área” ou não,  acabam indo pro mesmo bolo. A legislação não permite que a empresa diferencie o profissional de informática de outro que esteja na mesma empresa. Assim, no primeiro caso o salário daqueles que não são profissionais de informática segura os ganhos pois é a base salarial, já no segundo caso os ganhos do profissional são pressionados a acompanhar os ganhos dos outros para que não haja uma desproporcionalidade muito grande. As empresas até se esforçam em criar mecanismos para compensar as diferenças mas cada uma age de uma forma e não há uniformidade. Também não será a regulamentação que resolverá tudo da noite para o dia, mas já será o inicio de um caminho para correção.

 

As consequências

O último tópico  que trato,  são obviamente as consequências da existência de uma lei regulamentando a profissão. Como qualquer causa, haverão efeitos positivos e negativos.

Com certeza, não é e nem será a solução para todos os problemas citados de forma plena e satisfatória para todos. Acho que será a base para que possamos ter realmente uma profissão bem estabelecida e um meio de organizar isso.  Não acredito que tenha alguma consequência imediata, nem positiva e nem negativa. Mas o fato de ter uma legislação em que possamos nos basear é positivo o suficiente para que ela exista. Atualmente a própria representatividade em sindicatos e associações de defesa do trabalhador é algo não muito bem estabelecido, afinal quem é esse profissional da tecnologia da informação que eles defendem? Vejo por exemplo, para não mencionar muito, que existe o sindicato dos enfermeiros de São Paulo,  sindicado dos Médicos de São Paulo  e também o sindicado dos trabalhadores da sáude de São Paulo, os dois primeiros são óbvios e esse último pelo que entedi defende todos aqueles que trabalham ligados à saúde mas não são nem os médicos e nem os enfermeiros que tem profissão já regulamentada, pois é bem provável que um determinado benefício trabalhista tenha maior importância para um médico que para um enfermeiro e vice-versa.  Porquê os profissionais de informática que são tão metódicos e organizados em suas tarefas estão num balaio só. Talvez isso acabe nem sendo tão positivo mas pelo menos as identidades estão muito bem definidas.

Acho que está mais que na hora do profissional de informática lutar pela sua identidade.

 

No post anterior iniciei o assunto para tentar resgatar a importância e valor de ser seguidor. E também sua relação ao tão enfatizado papel do líder.

Minha intenção era continuar estritamente neste assunto e linha, digamos mais técnica e informativa, mas às vezes há acontecimentos que nos faz criar “parentesis ()”. Por isso vou aproveitar o espaço para escrever um pouco de bobagem.

Como também já escrevi, sou ex-praticante de artes-marciais e hoje em dia gosto bastante do MMA (Mixed Martial Arts) que acompanho pela TV e muitas vezes em eventos que ocorrem aqui em Curitiba.

Entre os muitos eventos que já fui, houveram bons, médios e ruins. Não consegui ver um realmente ótimo ou excelente ainda. E a minha avaliação é tanto em questão de Cartel (lutas) como na  organização e infraestrutura. No geral os cartéis são bons, já vi ótimos, pois aqui em Curitiba a sua boa quantidade de academias facilita que isso aconteça. O pecado da maioria destes eventos é realmente a organização e infraestrutura. E no último que assisti isso ficou mais evidente.

E quando penso em eventos, seja de qual natureza for, não há também como não relacionar a questão Seguidor/Líder. Pois ela é também existe:  O astro (líder)  geralmente é igualmente importante à quantidade de fãs (seguidores) que tem. Obvio que no mundo da luta, para o lutador (astro e líder) o importante realmente é vencer os combates. Mas além disso, há também muita satisfação quando se sabe que há vários fãs os seguindo. Quantas vezes não ouvi alguém terminar uma luta e dizer: “Faço isso pelos meus fãs”.

Já o espetáculo em torno do show, e tudo o que evolve o mesmo que são os patrocinadores e organizadores, este sim, teoricamente seria mesmo para os fãs (seguidores).  Mas na prática não se vê muito empenho (pelo menos nos eventos que assisti) em fazer a festa para os seguidores. Enquanto parentes, amigos e relativos dos organizadores, patrocinadores e astros são tratados como se estivessem em casa. Nós seguidores somos vistos quase como os “penetras” na festa. Mesmo pagando um pouco mais, tem sempre aquele “lugar inacessível” aos meros mortais. Tudo bem que há certos lugares que não pode entrar todo mundo, mas na frente de um palco, ou de um Ring? Agradar os envolvidos diretamente no evento é fácil, mas e o público final?

Como bom exemplo, temos o glorioso Coritiba, o querido Coxa, tem feito varias promoções que envolvem os sócios, que incluem até viagens acompanhando os jogadores, que demonstra uma mentalidade bem diferente da comum, bem voltada aos seus seguidores. Talvez seja o reflexo do pensamento destes líderes que estão fazendo tão bem ao clube no momento atual. Em outros tipos de eventos culturais, como teatro por exemplo, há mais organização neste sentido.

Há eventos, como feiras e exposições que são especialmente para os fãs, mas o espetáculo também teria que ser mais voltado ao fã.

Sei é claro que promover um evento é bem mais complexo do que posso imaginar e não tenho a menor capacidade de julgar se estão sendo feitos da maneira certa ou errada. E quando falamos em negócios, não é bem a maneira certa ou errada mas a lucrativa e não-lucrativa. É bem provável que se eu fosse me envolver com este tipo de negócio me daria muito mal, pois não consigo entender e nem aceitar certas coisas.

Como acredito que pessoas bem capacitadas conseguem retirar boas idéias das sugestões mais idiotas, eu vou descrever como seria algumas partes de um evento de MMA que consideraria voltado realmente ao público fã e seguidor.

Começa com o local que não pode ser pequeno demais, mas ao mesmo tempo tem que oferecer boa visão. Os ginásios de esportes são realmente os que mais gostei e é o que a grande maioria dos eventos usa. Mas já tem gente querendo inventar onda que tem tudo para dar problema um dia. A facilidade de acesso (fácil de achar), os procedimentos de entrada (sem burocracia) , estacionamento (pelo menos por perto), comida/bebida (qualidade e variedade, lugar cheio de atleta e nem um suquinho?) , tudo isso deveria ser bem pensado.

O segundo ponto é a chegada e entrada no local do evento. Que o Curitibano adora uma fila e tem aquela impressão de que lugar que não tem fila não é bom, eu até reconheço, mas não é por isso que todo mundo tem que ficar aturando fila. Não vai ser em evento de MMA que alguém vai passar para vera fila e resolver entrar. E para variar, só os envolvidos direta ou indiretamente é que conseguem evitar isso. Se por exemplo o evento começa às 18:00, deixa o público entrar a partir das 16:00 pelo meno, se vai ter gente fazendo fila antes disso? vai, mas não precisa segurar todo mundo até muito próximo de começar. Deixem as pessoas entrarem, sentarem, se acomodarem e até mesmo já “consumir” algum produto. Em vários isso já acontece de forma antecipada, mas muitos ainda insistem em ficar segurando fila e invariavelmente o evento atrasa.

Daí vem uma parte que também colabora na entrada do público: a chamada “área VIP”, que sempre é mal gerenciada. Se existe um Ring ou Octogono, geralmente há 4 blocos de cadeiras em volta, um em cada ponto cardeal: norte, sul, leste, oeste. Acho que todos os lugares deveriam ser numerados pelo menos nestas áreas onde as pessoas estão dispostas a pagar um pouco mais por este conforto. E cada um terá seu lugar conforme for comprando, e quem comprar antes terá os melhores lugares. Mas também tem a questão das celebridades, patrocinadores e outros envolvidos que também precisam ser contemplados. Para isto bastaria separar 1 ou 2 blocos e não o entorno todo nas primeira fileiras como normalmente acontece. Afinal o fã também deve ter o direito de sentar na primeira fila. E o preço também pode variar por fila, quanto mais afastado um pouco mais barato. Um pouco de fita adesiva e uma impressora já resolveriam para relacionar o lugar ao numero do ingresso. Obvio que organização e pessoal para fazer tudo isso custa caro, mas é com este tipo de atitude que um evento cresce.

Fazer diferente para fazer melhor, muitas vezes é fazer a mesma coisa mas de um jeito mais eficiente.

Talvez hoje em dia, o público alvo deste eventos não esteja exatamente preocupado com esse tipo de coisa que listei, mas é proporcionando mais comodidade ao espectador que o publico vai melhorando em quantidade e diversidade. E acho que vale para qualquer tipo de evento.

Este post é também um pouco de desabafo, mas vejo que há uma oportunidade dos ditos “líderes” enxergarem melhor aqueles que são seus “seguidores”, também nesta perspectiva.

Os recentes acontecimentos no Japão: o terremoto, depois o tsunami e por fim o acidente nuclear, e a forma como o povo japonês lida com essas situações, me ascendeu novamente a vontade de escrever sobre um tema que muitas vezes estou discutindo informalmente com meu amigos.

Como sou descendente de japoneses (nikkei como dizem os próprios), e também por ter vivido lá durante 2 anos como dekassegui possuo um certo conhecimento de causa para usar este mote como comparação.

Também há pouco mais de um ano, participei de um evento aqui em Curitiba onde assisti uma peça chamada: Gandhi, Um líder Servidor que é um monólogo de João Signorelli, inclusive recomendo a quem tiver oportunidade de assistir, e nem sei se ainda está em cartaz, mas talvez tenha vídeos espalhados pela internet, eu tive a sorte de poder comprar um DVD depois da peça. E é também um fato que também me fez perceber ainda mais que a teoria que defendo parece ser coerente.

Bom, o que tem uma coisa ver com a outra? E o que isso tem a ver com os conceitos de Seguidor e Líder?

É que ambos os casos  são bons exemplos que convergem com a minha opinião sobre a visão do paralelo Seguidor/Líder.

Depois da tragédia no Japão, a grande maioria das pessoas que acompanharam as notícias puderam ter uma noção da cultura japonesa com relação este tipo de acontecimento e ao mesmo tempo como é vista a relação líder/seguidor. Na peça do Signorelli, também há bons exemplos disso. Mas ainda não traduz exatamente a minha opinião.

Em qualquer contexto, atualmente, existe uma supervalorização do papel do “Líder” e seu conceito, e  que por vezes faz com que as pessoas menosprezem o papel e até mesmo a importância do conceito do Seguidor. Na maioria dos currículos que já tive a oportunidade de ler, o que mais se encontra é:  aptidão ou facilidade para liderança,  cursos de liderança, vale até dizer ter sido líder de classe, do bairro, síndico do prédio onde mora. Mas, e o tal trabalho em Grupo? Como se faz? se todo mundo tem excelentes e fortes propensões a ser líder, mas ninguém diz ser um bom seguidor? A impressão é que estamos tentando “queimar” etapas.

Voltando ao Japão (assunto), pude perceber que desde cedo as pessoas são educadas para serem Bons Seguidores, pois só assim serão bons “líderes”, que muitas vezes é uma consequência.  E os acontecimentos recentes por lá, provaram que em vários casos é muito importante ter bons seguidores, que são as pessoas prontas para ajudar, colaborar, ou simplesmente obedecer as regras estabelecidas perante o desastre. Se os japoneses não fossem seguidores bem preparados, aquela região do país teria entrado em colapso total. Até canais internacionais, estadunidenses por exemplo, não cansavam de elogiar a postura dos japoneses. A organização nas filas para alimentos, água, comida. Em resumo, o que manteve a ordem não foram os líderes (governo) mas os próprios cidadãos, bons seguidores das leis e bons costumes.

Isso nos mostra um perfil importante em qualquer situação ou contexto, que é o do Bom seguidor.É óbvio, e nenhuma novidade para ninguém, que sem bons seguidores, não há liderança que resolva. Mas o que estou tentando resgatar neste texto, é a importância do papel do bom Seguidor como parte do processo de liderança ou até mesmo o alcance dela, algo que parece ter sido um pouco esquecido, pois é só comparar com a literatura e textos publicados sobre liderança. A grande maioria dos textos até comenta sobre o papel do seguidor, mas a ênfase é no papel do líder.

Há empresas onde a única forma de se ter uma boa carreira profissional (bom salário), é recebendo alguma indicação para uma chefia, coordenação, gerencia, etc. Ser um bom profissional, fazer um bom trabalho,  seguir padrões e regras não é nem um pouco valorizado. Assim os funcionários não se sentem confortáveis em sua posição, pois,  só “compensa” estar em um cargo de “liderança”.  Os “líderes” das empresas devem começar a pensar melhor nisso.  Não que o profissional, não deva almejar um dia ser um líder, mas isso deveria ser uma consequência e não uma busca incessante e talvez o único objetivo, até porquê em qualquer organização que seja não há como todos serem líderes ao mesmo tempo.

Nos meus tempos de praticante de artes marciais (já treinei Karatê e Kendō) , eu nunca vi nenhum aluno chegar no Dōjō(local de treinamento/academia)  e a primeira coisa a dizer é:  “- Tenho habilidades naturais para me tornar um mestre e é isso que pretendo ser!”. O natural é dizer: “-Vou dar o melhor de mim para aprender tudo que o mestre tem a ensinar e quem sabe um dia me torne tão bom quanto ele”. Se tornar um mestre nunca é o objetivo principal, e nem todos poderão ser. Mas principalmente no ambiente empresarial, o que mais vemos é algo parecido com a primeira fala. Na vida parece que todos querem mandar e ninguém disposto à obedecer ou seguir, como se isso fosse algum desmérito. Mas é fato que há momentos para mandar e outros para obedecer.

Na Asia há um ditado que diz: “mostre o tigre, esconda o dragão” (virou até filme, que acho não tem nada a ver com o ditado). Já me explicaram (quando morei no Japão) que isso tem a ver com o papel de Seguidor. Significa que você deve ser humilde e demonstrar seu “tigre (seguidor)”, que é fazer tudo da melhor forma, mas ao mesmo tempo esconder a vaidade de querer mostrar o “dragão (líder)”. O “dragão” só deve aparecer quando for realmente necessário. Ou seja, devemos sempre mostrar que somos bons seguidores, e somente ser líder quando for realmente necessário ou a oportunidade ser favorável.

Outro problema que vejo nos textos de alguns livros sobre a liderança, é a idéia (que pode se tornar uma obsessão) de que somente se destacando dos outros é que você será importante, que até é valido até certo ponto, mas muitas vezes as pessoas entendem que esse “destaque” significa fazer algo diferente dos outros, quando na verdade pode ser o mesmo que todos (seguidores) mas de uma forma mais eficiente e objetiva.  Essa interpretação errônea faz com que muitas pessoas só pensem em si mesmos e fiquem o tempo todo tentando se auto-promover ou ter uma idéia mirabolante, o chamado “pulo do gato”. Claro que sempre haverão casos em que isso vai funcionar, mas na maioria das vezes não traz bons efeitos para o coletivo. Os japoneses, exemplificando novamente, pensam primeiro na coletividade e só depois é que vão pensar em si próprios. Até Jesus disse que veio para servir e não ser servido.

Há fatos na história da humanidade que nos ensina que não é somente a boa atuação do líder que faz vencer, apesar de ser o nome dele que fica na história, mas o conjunto com seus seguidores. Na idade antiga/média os chamados bárbaros tinham grandes lideres, e foram grandes conquistadores,  mas quando os romanos começaram a organizar o papel dos seguidores, criando assim a chamada hierarquia militar, foi com as táticas que privilegiavam os seguidores que venceram as grandes batalhas contra estes bárbaros e dominaram grande parte do mundo. Acha-se passagens que diziam que o porte físico, e até a habilidade bélica individual era muito melhor nos bárbaros que nos romanos. Pegando o gancho com o  militarismo, podemos ver que apesar de todos os papéis de lideres dentro da hierarquia militar, o mais importante é saber seguir as instruções, senão nada funciona. Assim as força militares são o grande exemplo de que vale mais ter 10 bons seguidores e 1 líder razoável, que 1 bom líder e 100 mal seguidores. Os seguidores têm que estar tão bem preparados quanto o líder.

No esporte, seja qual for, não há como o melhor treinador que se conheça conseguir resultados, se não contar com uma boa equipe (seus seguidores), e se esta equipe mesmo sendo de grande qualidade não demonstrar obediência tática. Não é raro aparecer um time sem “estrelas”  mas vencedor e times cheios de “estrelas” mas que não vence. Pois a força está no conjunto todo.

O twitter é um software que se baseia no conceito de seguidores, mas a maioria  não sabe tirar proveito disso. Algumas empresas já perceberam que é mais importante estar seguindo o máximo de clientes possível do que ser seguido, pois está monitorando e percebendo a opinião daqueles que mais precisa. Usar esta ferramenta só para se promover não será um bom negócio, pois estarão desperdiçando o que de melhor ela oferece. Também devem ser poucos os usuários comuns (pessoas físicas) que se orgulhariam de estar seguindo mais do que ser seguido. Claro que o bom seguidor sabe também distinguir quem seguir, não é só uma questão de número.

O meu objetivo com este texto também não é fazer uma apologia a passividade, a subserviência . O bom seguidor não é passivo. Sabe seguir o que lhe é pedido, mas também não precisa ser constantemente motivado. Há aquele texto chamado “Mensagem à Garcia”, que alguns usam como bom ou mal exemplo para o papel do seguidor,  pessoalmente acho que é uma mensagem positiva de uma postura pró-ativa.

O bom seguidor faz aquilo que lhe é pedido com o máximo de empenho, sabe avaliar o que não é uma boa idéia, e ainda mais importante: sabe identificar o bom líder a ser seguido. Ser um mau seguidor é ser apenas um “puxa-saco”. E um mau seguidor vai se tornar um mau líder (quando permitem que isso aconteça). Como qualquer coisa na vida, há sempre o bom e o mau se contrapondo. A lógica já explica: mau+mau=mau, bom+mau=mau, e somente bom+bom=bom. Sendo desta forma que se formam as empresas, os setores e equipes.

Também acho que precisamos mesmo de bons líderes, mas acho que estamos nos esquecendo dos seguidores . Não devemos diminuir a importância de um em relação ao outro. O equilíbrio sempre é importante em qualquer contexto de nossa vida, o “Muito” ou o “Pouco” em geral não são bons indicativos.

Se como dizem: “O mundo precisa de bons líderes”, então por consequência também precisa de bons seguidores.

Bem, por enquanto vou parar por aqui pois já estou me alongando demais. Fiquem à vontade para comentar.

Tentei de todas as formas não criar um Blog, mas as atividades profissionais me direcionaram a ter um usuário no WordPress, sendo assim vou aproveitar e tentar passar um pouco do meu conhecimento e experiência. Mas a tendência é publicar qualquer bobagem mesmo, por isso não esperem muita qualidade neste blog não.

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